Neurobusiness: as contribuições da Neurociência e IE para os resultados nas organizações11 min de leitura

 

O neurobusiness interfere na forma como as empresas e colaboradores solucionam problemas, inovam e criam novos modelos de negócios.

A questão comum que é perguntada nos negócios é ‘Por quê?’. Essa é uma boa pergunta, mas uma resposta igualmente válida é ‘Por que não?’.” – Jeff Bezos

Desvendar os mistérios que permeiam o cérebro não é mais assunto somente de pesquisadores. Nos últimos anos, empreendedores e profissionais de todas as áreas descobriram que podem ganhar muito e alavancar seus negócios se conseguirem entender melhor a natureza da mente humana.

Com o progresso recente da neurociência aplicada ao mundo corporativo, o neurobusiness desponta como uma gama de soluções para promover a imagem, impulsionar carreiras, otimizar relacionamentos e turbinar resultados. A chave para tudo isso está em reconhecer as verdadeiras motivações por trás do comportamento dos consumidores, funcionários, parceiros, fornecedores e concorrentes.

O neurobusiness é uma ramificação da neurociência comportamental, área de estudo das relações entre o cérebro e os sentimentos, emoções e instintos. No âmbito corporativo, o neurobusiness modifica a forma como uma empresa e seus colaboradores resolvem problemas, inovam e criam novos modelos de negócio, fortalecendo sua posição no mercado.

Figura 1.0 Neurobusiness
Figura 1.0 Neurobusiness

Neurobusiness: inteligência emocional aplicada aos negócios

As emoções são cavalos selvagens.” -Paulo Coelho

Com mais de 30 milhões de exemplares vendidos, “Como fazer amigos e influenciar pessoas”, livro publicado originalmente em 1936, segue como uma das maiores referências sobre o comportamento humano. Nele, Dale Carnegie (1888-1955), escritor pioneiro na área dos relacionamentos interpessoais, dá dicas valiosas para desenvolver a inteligência emocional, abordando conceitos de empatia e autocontrole (CARNEGIE, 2012).

O estudo do cérebro é essencial no neurobusiness, uma vez que tudo o que sentimos, vemos e fazemos está conectado.

O cérebro apresenta padrões comportamentais que dão sentido e inspiram todas as nossas ações e reações, o que explica por que pessoas de diversas faixas etárias, culturas e classes sociais podem experimentar sentimentos semelhantes.

Compreender os processos cerebrais que dão origem a essas emoções e aprender a gerenciá-los adequadamente são atitudes capazes de gerar impactos positivos para profissionais e empresas de todos os setores. De acordo com Carnegie, isso é possível através da adoção das seguintes medidas:

  • Domínio das reações

Reagir imediatamente a situações de alto teor emocional é uma fórmula garantida para fazer ou dizer algo de que você se arrependerá depois. Assim, para evitar disparar um contra-ataque emotivo repleto de ressentimentos e frustrações, é preciso respirar fundo e estabilizar o ímpeto de defesa. “A melhor maneira de vencer uma discussão é evitando-a”, aconselha Carnegie. Siga respirando profundamente por cinco minutos, enquanto sente o relaxamento muscular e a frequência cardíaco diminuindo. Esta simples pausa é capaz de prevenir grandes conflitos e problemas ainda maiores, seja no relacionamento com gestores, colegas de trabalho, fornecedores ou clientes.

Figura 1.1 Dominar as reações emocionais é essencial para manter relacionamentos saudáveis.
Figura 1.1 Dominar as reações emocionais é essencial para manter relacionamentos saudáveis.

Segundo James Gross, diretor do laboratório de psicofisiologia da Universidade de Stanford, gerir as próprias emoções adequadamente no dia a dia ajuda a prevenir distúrbios mentais como depressão, ansiedade e transtorno de personalidade limítrofe (MEDICAL XPRESS, 2019). Embora nem sempre seja fácil, domar a negatividade é sinônimo de saúde e bem-estar.

  • Expressão emocional saudável

Uma vez dominadas as emoções, é hora de encontrar o meio mais sadio e construtivo possível de liberá-las. É importante observar que a emoção nunca deve ser reprimida e guardada, mas sim compreendida e transformada em algo positivo. Para isso, é válido conversar com pessoas em quem você confia, tomando conselhos e ouvindo opiniões diferentes. Manter um diário das suas emoções também pode ser bastante útil.

Quando você finalmente for conversar para de fato solucionar o problema, seu lado emocional já estará equalizado e será muito mais fácil assumir uma postura conciliatória.

  • Propósito maior

A crença de que todos os acontecimentos da vida servem a um propósito maior é determinante para desenvolver resiliência frente aos desafios cotidianos. Tornar-se mais sábio implica uma visão além do momento presente, identificando um significado maior em qualquer situação.

  • Substituição de pensamentos

Emoções negativas criam maus pensamentos persistentes, gerando ciclos de padrões totalmente negativos. Por isso, ao se deparar com uma emoção ruim, é preciso substituí-la o quanto antes por um novo pensamento, mais produtivo. Para tanto, é recomendável tentar visualizar a resolução ideal para o problema enfrentado no momento, mantendo a mentalidade positiva ao se lembrar de pessoas, lugares ou coisas agradáveis e felizes.

  • Desconexão para gerenciamento emocional

Atualmente, a maioria das pessoas se encontra – conscientemente ou não – em um estado de interconexão, ou seja, elas estão o tempo todo ocupadas demais com ligações, mensagens e e-mails. Esta dedicação intensa às telas de celulares e computadores impede que elas invistam em autoconhecimento, habilidade cada vez mais rara no mundo empresarial moderno. Livrar-se de distrações e focar em si mesmo e nas próprias emoções frequentemente são atos suficientes para formar uma perspectiva aperfeiçoada de uma situação difícil.

Figura 1.2 Desconectar em prol do autoconhecimento.
Figura 1.2 Desconectar em prol do autoconhecimento.

O poderoso método CEB (Cultivating Emotional Balance)

Não somos responsáveis pelas emoções, mas sim pelo que fazemos com as emoções.”- Jorge Bucay

De acordo com o psicoterapeuta e pesquisador Jorge Bucay, muitas emoções que experimentamos surgem espontaneamente, ou seja, não somos responsáveis por sua aparição. No entanto, é nossa responsabilidade a forma como lidamos com elas (BUCAY, 2011).

Todas as pessoas, em algum momento da vida, sentem emoções socialmente condenáveis como ciúmes, raiva, ira ou tristeza. É importante não minimizá-las ou escondê-las, mas sim procurar tirar o melhor proveito possível de cada uma delas.

Muitas vezes não dá para controlar o que sentimos, mas é sempre viável administrar a vida emocional.

Ninguém está imune à raiva, por exemplo; todos nós somos tomados por ela ocasionalmente. Trata-se de uma emoção presente no material genético humano há milênios, auxiliando-nos na evolução como espécie. A raiva é útil quando é necessário intensificar a atividade muscular, neuronal e os índices da frequência cardíaca. A raiva, portanto, é fundamental como emoção, mas o modo como a expressamos pode ser desadaptativo. Diversas situações despertam raiva, mas apenas nós decidimos agir de uma forma ou outra.

As emoções formam um universo complexo, relacionado a diversas variáveis e circunstâncias para que o indivíduo possa realmente ter uma vida boa e equilibrada. Toda vez que alguém passa por um aborrecimento ou contrariedade, uma resposta é gerada. Se a pessoa está em equilíbrio, é capaz de reagir de forma positiva e tomar aquilo como um aprendizado, mas se não está bem internamente, mágoas e ressentimentos são criados.

Compreender e aceitar as próprias emoções e as dos outros é imprescindível para ter sucesso na vida em geral e, particularmente, nos negócios. Descobrir o que as pessoas realmente sentem, por que sentem e como sentem é um aspecto central do neurobusiness – afinal, não é somente sobre negócios, mas principalmente sobre pessoas.

O método conhecido como CEB (Cultivating Emotional Balance) surgiu no ano 2000, introduzido em um dos eventos do Instituto Mind & Life (MIND & LIFE, 2019). Este encontro teve participantes célebres, como Paul Ekman, Alan Wallace e o Dalai Lama.

Ekman é um renomado psicólogo e já foi considerado uma das pessoas mais influentes do mundo pela revista TIME em 2009, além de um dos maiores psicólogos do século XXI pelo Archives of Scientific Psichology. Já Alan Wallace é um conceituado professor budista, ordenado monge pelo próprio Dalai Lama, e também presidente e fundador do Santa Barbara Institute for Consciousness Studies.

No evento, o trio abordou o gerenciamento de emoções destrutivas, estudando alternativas para lidar melhor com sentimentos de culpa, ansiedade, frustração, ressentimento, raiva, ciúme, melancolia, etc. Foi desenvolvido assim o CEB, programa voltado para o bem-estar emocional através de reflexões integradas a transformações comportamentais no dia a dia.

De acordo com o CEB, a verdadeira felicidade não depende de circunstâncias externas, mas é resultante do desenvolvimento de quatro tipos de equilíbrio: conativo, cognitivo, atencional e emocional. O CEB analisa detalhadamente cada uma dessas competências, explicando seus fundamentos teóricos e sugerindo práticas para alcançar o pleno equilíbrio:

Figura 1.3 O ciclo do equilíbrio.
Figura 1.3 O ciclo do equilíbrio.
  • Equilíbrio conativo

Segundo o CEB, a natural felicidade interior não está atrelada a conquistas profissionais, financeiras ou afetivas. Trata-se de uma sensação de alegria, contentamento e bem-estar independente de condições externas.

Muitas pessoas desperdiçam suas vidas perseguindo objetivos efêmeros e confundindo felicidade com a excitação momentânea por um novo emprego ou um bom negócio fechado. Pior ainda: se seus planos não se concretizam, elas se tornam frustradas e deprimidas.

Embora fatores profissionais e financeiros sejam relevantes para quase todos os seres humanos, graves problemas se instalam quando emoções negativas de estresse, ansiedade e angústia nublam o horizonte de sentido da vida. Assim, paradoxalmente, esta obsessão por sucesso acaba se tornando exatamente o que nos afasta dele.

Para ser de fato feliz e ter uma vida satisfatória, é necessário primeiramente construir uma “base incondicional de felicidade”, alinhando desejos e intenções ao próprio bem-estar e ao das pessoas à sua volta.

  • Equilíbrio atencional

A desatenção é um dos grandes males do século XXI. Em um mundo cada vez mais repleto de distrações digitais, a concentração tornou-se um tesouro a ser caçado. William James (1842-1910), pioneiro da psicologia ocidental, já dizia: “a cada momento, aquilo em que prestamos atenção é a realidade” (JAMES, 2013).

Nesse contexto, o foco em si mesmo é simultaneamente o mais importante e também o mais raro tipo de atenção atual.

Quem desconhece os próprios sentimentos dificilmente compreenderá as emoções de terceiros.

Por isso o CEB propõe pausas regulares durante o dia para questionamentos e reflexões. Para tanto, é recomendável praticar ainda exercícios de respiração abdominal, muito úteis para limpar a mente e se concentrar no que realmente importa.

  • Equilíbrio cognitivo

De nada adianta desenvolver os aspectos conativo e atencional se a pessoa for incapaz de perceber de forma clara o que está vivenciando, reconhecendo e assumindo um papel ativo na criação da própria realidade. Trata-se aqui de tomar as rédeas da própria vida, deixando para trás o papel submisso de vítima.

Pessoas equilibradas cognitivamente conseguem se responsabilizar pelos próprios atos, evitando lamentações e culpalizações infrutíferas quando algo dá errado. Esta postura dinâmica e corajosa diante de um fracasso é justamente o que permite que aprendizados e êxitos ocorram mais rapidamente.

  • Equilíbrio emocional

O equilíbrio emocional corresponde à soma dos equilíbrios anteriores, enriquecida e estendida através de ferramentasque proporcionem a compreensão dos episódios emocionais.

Embora as emoções façam parte da vida, é indispensável saber gerenciá-las através de uma abordagem multidimensional, harmonizando os lados conativo, atencional, cognitivo e emocional. Para isso, a FELLIPELLI oferece os melhores cursos e assessments em termos de inteligência emocionale desenvolvimento de equipes. Consulte-nos!

Para saber mais:

  • Alegria, culpa, raiva, amor: O que a neurociência explica e não explica sobre nossas emoções e como lidar com elas. Giovanni Frazzetto. HarperCollins Brasil, 2014.
  • Uma viagem pelo cérebro: A via rápida para entender neurociência. Carla Tieppo. Editora Conectomus, 2019.
  • A Neurociência da Face Humana – O Cérebro e a Emoção. A. Freitas-Magalhães. Editora Escrytos, 2019.

Referências bibliográficas

  • CARNEGIE, Dale. Como fazer amigos e influenciar pessoas. Companhia Editora Nacional, 2012.
  • MEDICAL XPRESS, 2019. Acesso em: 20/08/2019.
  • BUCAY, Jorge. Quando me conheci. Editora Sextante, 2011.
  • MIND & LIFE, 2019. Acesso em: 20/08/2019.
  • JAMES, William. Complete Works. Minerva Classics, 2013.

Tema: Neurociência e Inteligência Emocional.

Subtema: Como aproveitar as contribuições do neurobusiness para alavancar resultados em um mercado cada vez mais disputado e complexo.

Objetivo: Autoconhecimento, Autodesenvolvimento, Desenvolvimento Organizacional, Desenvolvimento de Liderança, Coaching, Coaching nas Empresas.

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