Cultura de Excelência: a busca apaixonada por qualidade13 min de leitura

Como desenvolver uma cultura organizacional voltada para o aperfeiçoamento contínuo de potencialidades e a qualidade excelente de produtos e serviços.

A excelência pode ser obtida se você se importa mais do que os outros julgam ser necessário; se arrisca mais do que os outros julgam ser seguro, sonha mais do que os outros julgam ser prático, e espera mais do que os outros julgam ser possível.”

Vince Lombardi (1913-1970), primeiro treinador campeão do Superbowl

Thomas Watson, fundador da IBM, costumava dizer: “Se você quer alcançar a excelência, pode chegar lá hoje mesmo”. O que isso significa? Qualquer pessoa pode decidir deixar de realizar um trabalho abaixo de excelente em um nanossegundo, basta assumir o compromisso com novos padrões de qualidade – e uma vida de busca apaixonada para mantê-los.

A mudança determinada de mentalidade é um jogo de tudo ou nada. Em seu best-seller “The Pursuit of Wow!” ou “A Busca do Uau!” (PETERS, 1994), Tom Peters, economista norte-americano especializado em gestão empresarial, explica que persistir nas mudanças sim leva toda uma existência (lembre-se de “um dia de cada vez”, a filosofia dos Alcóolicos Anônimos), mas é preciso somente um instante para escolher mudar.

Figura 1.0 Excelência.
Figura 1.0 Excelência.

 

Os fundamentos da excelência

É preciso agir, fazendo mais e melhor com aquilo que já se tem. Nosso projeto é de longo prazo.”

Jorge Paulo Lemman, empresário e segundo homem mais rico do Brasil

Tratando-se de cultura organizacional que dá certo, o sucesso e a forma de pensar e agir dos empresários Jorge Paulo Lemman, Marcel Telles e Beto Sicupira são referências dentro e fora do Brasil. O trio de brasileiros – sócios da companhia belga-brasileira Anheuser-Busch Inbev, a maior cervejaria do mundo, com 25% do mercado global – tem seus valores explicados no livro “Cultura de Excelência”, do jornalista David Cohen (COHEN, 2017).

Nessa obra, Cohen destaca os seis grandes pilares da construção de uma verdadeira cultura de excelência, relatando como os profissionais e as empresas mais bem-sucedidos do mundo aplicam cada um deles diariamente:

  • Metas ambiciosas:

“Sonhar grande dá o mesmo trabalho que sonhar pequeno” é uma das mais conhecidas frases de Lemman.

Para começar qualquer trabalho ou negócio, é necessário definir o seu propósito e traduzi-lo em um objetivo de longo prazo, atingível através do cumprimento de metas altas e ousadas, porém não impossíveis.

Por meio dessas metas é possível perceber e mensurar os progressos feitos, verificando se tudo está na direção certa e corrigindo eventuais desvios.

Estabelecer metas difíceis para conquistar um feito extraordinário exige que a pessoa ou a empresa saia de sua zona de conforto a fim de vislumbrar as mudanças desejadas.  “Quando você está emocionalmente ligado a sua meta, quando pode vê-la e senti-la, quando a sua meta parece ser necessária à sua sobrevivência e quando ela testa os seus limites, seu cérebro está vivo – os neurônios literalmente iluminados de entusiasmo”, afirma Mark Murphy, autor do best-seller “Metas que desafiam: a ciência dos feitos extraordinários” (MURPHY, 2012).

Figura 1.1 Metas elevadas para deixar a zona de conforto e crescer.
Figura 1.1 Metas elevadas para deixar a zona de conforto e crescer.

 

Dizem que Steve Jobs trabalhava em seu novo projeto de IPad enquanto ainda se recuperava de um transplante no fígado. Esse fato expõe como a obstinação, o desejo irrefreável de alcançar as metas propostas deve ser intenso – mesmo diante de situações extremas.

  • Trabalho duro:

Em seu livro “Outliers: The Story of Success” (GLADWELL, 2009), o autor best-seller Malcolm Gladwell defende que não existe sucesso sem trabalho duro, ou seja, a prática faz a perfeição. Para ele, a ideia de um gênio que conquista glória e fortuna sem esforço não passa de lenda urbana.

O pensamento de Gladwell é condensado em uma teoria: a chamada regra das 10.000 horas, segundo a qual são necessárias no mínimo 10.000 horas de esforço – ou 8 horas por dia, todos os dias por 4 anos – para se tornar bom em algo.

Gladwell diz que Mozart, o maior prodígio da história da música, compôs sua primeira obra-prima (o Concerto para Piano nº 9, k.271) aos 21 anos, após uma década escrevendo concertos. Obviamente Mozart possuía um talento excepcional, mas não estava pronto antes de anos e anos de treino, com o suporte do pai. Einstein formulou a teoria da relatividade aos 26 anos, porém estudava as propriedades da luz, seu ponto central, desde os 16. Mesmo uma das mentes mais privilegiadas do mundo precisou de uma década de estudos para obter êxito. Outro exemplo é o megainvestidor Warren Buffett, um dos homens mais ricos do mundo. Antes de fazer fortuna, ele analisou minuciosamente por décadas as operações das empresas e de seu comportamento na Bolsa de Valores.

Cientistas, artistas e empresários passam anos no anonimato, aprendendo e praticando. Até mesmo os Beatles, um dos maiores fenômenos musicais de todos os tempos, já tinham sete anos de existência e cerca de 1.200 apresentações no currículo antes de ganhar a fama.  “Prática não é aquilo que você faz quando já é bom. É aquilo que faz com que você seja bom”, conclui Gladwell.

De acordo com Thais Junqueira, diretora-executiva da Fundação Estudar (ESTUDAR, 2019), “o que faz diferença no longo prazo é trabalho, dedicação e estudo”. A fundação, criada em 1991 por Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles, já doou US$6 milhões em bolsas de estudos aos melhores estudantes de graduação e pós-graduação. A posterior vida profissional de uma centena desses ex-alunos selecionados não deixa dúvidas: 35% atualmente são donos de empresas, presidentes ou diretores. Thais é mais uma vez categórica: “Não há nada que substitua as horas de trabalho como fator de sucesso”.

  • Pessoas íntegras e qualificadas:

Tanto no âmbito pessoal quanto no corporativo, é fundamental assegurar-se da integridade daqueles ao seu redor. A integridade é uma daquelas características que o indivíduo possui ou não possui, ou seja, é impossível ser “meio íntegro”. Esta qualidade tem tudo a ver com educação, honra e conduta ética.

Uma pessoa íntegra mantém sua retidão de conduta em qualquer circunstância, mesmo quando poderia tirar algum proveito de uma determinada situação. Isso ocorre porque suas decisões são integralmente orientadas pela honestidade, ética e transparência.

Quando uma empresa conta com funcionários íntegros, tudo tende a caminhar bem e a dar bons resultados. Colaboradores imorais tendem a não respeitar os padrões éticos nos negócios, ignorando-os no processo decisório. Estão sempre em busca de seus próprios interesses, meios de evasão legal e formas de contornar normas e regulamentações.

Além do comprometimento com a ética e a responsabilidade, é necessário também investir pesadamente em qualificação profissional. Nos mercados contemporâneos, a experiência por si só não é o bastante para ser eficiente e eficaz no desenvolvimento das atividades laborais. Com o surgimento de novas tecnologias, automações, modelos de gestão e controles de qualidade, faz-se necessária uma intensa qualificação em conhecimentos teóricos, técnicos e operacionais para elevar os níveis de alta performance e alcançar a tão desejada excelência organizacional.

Qualificar significa buscar sempre o melhor desempenho laboral possível, avaliando a capacitação adquirida através de parâmetros específicos de excelência para considerar aptos os profissionais e, por conseguinte, os produtos/serviços oferecidos pela empresa. Os resultados para o profissional qualificado serão maiores competitividade e empregabilidade, enquanto as empresas se fortalecerão na busca pela sustentabilidade organizacional.

  • Investimento em conhecimento:

Muito além da teoria, o conhecimento deve ser encarado como uma ferramenta para a ação. Não saber fazer alguma coisa não deve ser desculpa para abandonar a tarefa, mas sim um estímulo para expandir habilidades.

“Investir em conhecimento rende sempre os melhores juros”, já dizia Benjamin Franklin (1706-1790), polímata e um dos líderes da Revolução Americana. A maioria das pessoas infelizmente ainda ignora o valor desse investimento. Geralmente convencidas de que a educação formal é o bastante para a carreira e de que o êxito profissional é mais fruto da sorte do que de qualquer outra coisa, muitas pessoas desprezam a importância do aprendizado contínuo.

São alguns dos principais benefícios da frequente aquisição de novos saberes:

  1. Liberdade:

O conhecimento liberta, tornando indivíduos e suas empresas capazes de filtrar informações e tomar decisões assertivas sem depender de ninguém. Não há liberdade maior do que a de saber o que deve ser feito e quando fazê-lo.

  1. Redução de riscos:

Possuir uma boa bagagem de conhecimentos torna os riscos menores, tornando muito mais fácil saber até onde ir e quando parar. O megainvestidor Peter Lynch, gestor de um dos maiores fundos do mundo, recomendava que as pessoas investissem apenas no que conheciam profundamente.

Isso não significa, porém, que alguém não deve jamais sair de sua zona de conforto, mas sim que é fundamental se atualizar sempre para expandir a própria gama de conhecimentos.

  1. Retornos maiores:

Os rendimentos tendem a subir quando o indivíduo adquire novos saberes e passa a dominá-los e aplicá-los na rotina de trabalho. Uma pessoa sem tais conhecimentos normalmente se contenta sem seguir recomendações de terceiros, enquanto alguém preparado pode conquistar resultados melhores através de um conhecimento acima da média.

  1. Superação da mediocridade:

Pessoas medíocres não detêm conhecimentos para ir além e tampouco desejam ir atrás deles, contentando-se com empregos meia-boca e remunerações medianas. Esses indivíduos acomodam-se, apropriam-se daquela zona de conforto e decidem permanecer nela, abrindo mão de desenvolver plenamente suas potencialidades. Zona de conforto é onde ficam as coisas mornas, aquelas relações mais ou menos.

Aprender a lidar com os próprios pontos fortes e fracos e aperfeiçoar habilidades definitivamente não são coisas para quem vive na média, mas sim para os que desejam ir além, em termos pessoais e profissionais.

  1. Criação de um propósito:

A desmotivação geralmente está associada à ausência de um grande objetivo na vida, uma perspectiva de futuro estimulante. Ao adquirir novos conhecimentos, o indivíduo começa a enxergar um mundo repleto de possibilidades e se sente confiante para explorá-las e criar metas grandiosas.

  1. Proteção:

A carência de conhecimentos torna a pessoa vulnerável, uma vez que ela não consegue raciocinar, argumentar e decidir por si mesma. O investimento na formação intelectual cria uma espécie de escudo, blindando o indivíduo e alertando sobre eventuais armadilhas na jornada rumo ao sucesso.

  1. Perenidade:

Aprendizados profundos e significativos ficam enraizados na mente e resistem a mudanças nos cenários econômico, político e social. Para isso, é importante repensar o modo como os conhecimentos são absorvidos e aplicados, concentrando esforços e energia nos saberes que possuem um prazo de validade mais longo, como os conceitos, as formas de trabalho e os métodos que sustentam as teorias.

  1. Protagonismo:

Foco e responsabilidade são dois aspectos essenciais para atingir o sucesso. Além disso, deve-se agir sempre com espírito de liderança, independentemente do cargo ou das funções desempenhadas. A postura de dono do negócio e a capacidade de tomar a iniciativa, propondo novos caminhos, são características desejáveis em todos os setores de uma empresa.

A modificação de comportamento depende, única e exclusivamente, do próprio profissional, que deve desejar cruzar as fronteiras da inércia emocional. Esse tipo de colaborador está sempre passivamente esperando que a organização ofereça mais que condições ideais de trabalho – deseja que ela ensine também novas competências.

Empresas formadas por profissionais protagonistas conseguem simultaneamente diminuir os custos de gestão e elevar o nível de satisfação com o clima organizacional.

Os funcionários protagonistas são aqueles capazes de tomar decisões e atitudes por conta própria, dados seus altos níveis de determinação e autoconfiança.

  1. Geração de impacto:

Energia e tempo são recursos limitados, por isso é fundamental investi-los naquilo que deixará um legado. Os melhores resultados são aqueles que possuem vasto alcance e efetividade, e negócios de impacto social beneficiam um grande número de pessoas, trazendo soluções empreendedoras para os maiores problemas do dia a dia.

A estruturação de um negócio verdadeiramente impactante envolve as seguintes etapas básicas:

Ideação:  Conhecer o mercado e as reais demandas dos consumidores, desenvolver uma proposta de valor e estabelecer indicadores para medir os impactos gerados.

Validação da ideia: Identificar os mercados de intervenção através de pesquisas de diagnóstico e definir os custos e a precificação dos produtos ou serviços.

Lançamento e operação do negócio: Definir os tipos de atendimento e comercialização dos produtos ou serviços e construir o marketing de relacionamento com os clientes.

Expansão e escala: Uma vez estruturado e atuante, o negócio deve crescer, planejar a expansão e alcançar novos mercados.

A consultoria de desenvolvimento humano FELLIPELLI preza pela excelência e acredita que ela é capaz de transformar um indivíduo, uma organização e até mesmo um país.

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Para saber mais:

  • Potencializando a Excelência. Como escalonar práticas exemplares para ter melhor desempenho. Robert Sutton e Huggy Rao. Editora Alta Books, 2018.
  • Gestão Integrada para Excelência. Modelo de gestão efetiva. Teoria e prática. Pedro Sabino de Farias Neto. Editora Juruá, 2016.
  • Empresas Feitas Para Vencer: por que Algumas Empresas Alcançam a Excelência… e Outras Não. Jim Collins. Editora Alta Books, 2018.

 

Referências bibliográficas

  • PETERS, Tom, The Pursuit of Wow! Vintage Books, 1994.
  • COHEN, David. Cultura de Excelência. Editora Primeira Pessoa, 2017.
  • MURPHY, Mark, Metas Que Desafiam. A Ciência Dos Feitos Extraordinários. Editora Clio, 2012.
  • GLADWELL, Malcolm, Outliers: The Story of Success. Editora Penguin, 2009.
  • ESTUDAR, 2019. Fundação Estudar: Conheça nossas iniciativas. Acesso em: 20/03/2019.

Tema: Cultura Organizacional, Liderança.

Subtemas: O compromisso com novos padrões de qualidade leva à cultura de excelência organizacional.

Objetivo: Desenvolvimento Organizacional, Desenvolvimento de Liderança, Desenvolvimento de Equipe, Team Building, Coaching, Coaching nas Empresas.

 

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