Procuram-se líderes3 min de leitura

procuram-se-lideresO equilíbrio entre firmeza e assertividade nas decisões, incentivo à inovação e valorização das equipes são alguns dos atributos mais valorizados e requisitados dos profissionais, ainda mais daqueles que se propõem estar na linha de frente, assumindo postos-chaves dentro das empresas. Não é esta, porém, a realidade do cenário corporativo brasileiro, conforme revela levantamento realizado junto a 21.602 colaboradores em 2008, baseado em ferramenta de análise de perfil psicológico, que determina as preferências de cada indivíduo e como elas se desenvolvem.

Pela pesquisa, verificou-se que predisposição à criatividade é uma competência inata a apenas 12,1% dos pesquisados, ante um percentual de 51,4% de gestores que tendem a atuar de forma mais tradicionalista, sem propensão a correrem muitos riscos. Quando o assunto é o modelo autoritário de gerenciar grupos, o estilo é identificado em 48,2% do universo analisado.

A preponderância da gestão denominada autoritária pode ser justificada pela grande concentração de executivos cujo estilo de liderança é tradicionalista, estabilizador e consolidador. O estilo de trabalho deste grupo está ligado ao senso de dever, de responsabilidade, de lealdade, de assiduidade e perseverança. Possuem foco mais nas tarefas do que nas pessoas; produzem com rapidez. Assumem o comando das atividades, beneficiam-se de experiências vivenciadas no processo de tomada de decisão, respeitam hierarquia e são confiantes e diretos. Trabalham melhor quando planejam suas tarefas.

Cruzados os dados da pesquisa, chegou-se a conclusão de que os executivos brasileiros que apresentam bom desempenho nos comportamentos da competência liderança nas corporações, somam 32,8%, ou seja, este grupo apresenta um modelo de liderança que harmoniza a gestão de pessoas, o incentivo à criatividade e propiciam o surgimento de novos talentos.

Ressalva-se que, dentro de um universo corporativo como o nosso, o qual reflete a mistura de tipos e comportamentos característicos do brasileiro, suas qualidades e defeitos, não existe um padrão ideal de profissional a ser atingido, pois é fundamental a existência da diversidade para o bom relacionamento e desempenho das equipes, ainda que comportem perfis autoritários e conservadores. Ambos também apresentam aspectos positivos como a organização dos processos internos e o maior autocontrole pessoal. Algumas funções, inclusive, exigem estes modelos de gestores.

O ideal, porém, é que houvesse um maior equilíbrio entre os perfis, com o surgimento de mais líderes que gestores no que diz respeito à forma como influenciamos os outros. Mais que valorizar a organização dos processos e demonstrar autocontrole, líder é aquele profissional cujo comportamento influencia as pessoas a fazerem o que precisa ser feito, de forma engajada, agindo como se fossem “donas” do negócio e celebrando as conquistas coletivamente.

O aperfeiçoamento do ambiente corporativo requer uma auto-análise por parte dos gestores, um olhar sobre os grupos liderados, aos quais deve ser oferecida a possibilidade de aperfeiçoamento de seu potencial, com muitas dinâmicas de grupo e treinamento. Investir na educação e capacitação emocional das equipes é fundamental para garantir a harmonia das atividades e o entrosamento dos colaboradores, tornando os negócios mais produtivos e inovadores.

Ricardo Rabello é formado em Arquitetura e Urbanismo e possui mestrado em Planejamento Urbano obtido pela Universidade de Cincinnati, nos EUA. Atuou durante 15 anos em gerenciamento de empresas, desenvolvimento de pessoas e assessment.


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