Os Tipos Psicológicos e os estilos de comunicação9 min de leitura

A partir de um ícone da TV brasileira, o “Chacrinha”, Adriana Fellipelli fala sobre os diferentes estilos de comunicação associados com os Tipos Psicológicos do MBTI® – aliado poderoso usado para compreender as diferenças entre os indivíduos, estabelecendo uma comunicação mais construtiva e eficaz.

Abelardo Barbosa, o Chacrinha, era chamado de grande comunicador do Brasil. É fácil constatar que grande parte do sucesso alcançado por Chacrinha deve-se ao seu reconhecido humor debochado, à criação de expressões que se tornaram populares e à animação de seus programas de televisão. A comunicação de massa era seu forte, e sua célebre frase “quem não se comunica, se trumbica” denuncia claramente a importância e o problema da comunicação nas interações humanas.

Figura 1 Frase de Chacrinha que se eternizou e virou homenagem.
Figura 1 Frase de Chacrinha que se eternizou e virou homenagem. Fonte: Imagem Folha – Uol

A comunicação, segundo algumas teorias, é entendida essencialmente como um processo que possibilita a troca de informações entre diferentes organismos por diversos métodos. Pode ocorrer entre duas ou mais pessoas, ou solitariamente (na reflexão, no sonho), entre entidades coletivas, indivíduos de espécies diferentes (o homem e o cachorro), células do corpo e assim por diante.

Qualquer que seja o arranjo, a comunicação implica a presença de algumas dimensões normalmente descritas como emissor, receptor, mensagem, forma, canal e propósito.

A eficácia da comunicação não depende apenas da existência dessas dimensões. Barreiras naturais de comunicação dificultam e às vezes impedem a transmissão íntegra da mensagem, seja pela interferência de ruídos, seja na maneira como são formulados, emitidos e recebidos os conteúdos. O feedback – mensagens verbais ou não-verbais que o receptor devolve ao emissor – serve para verificar e ajustar a clareza da comunicação no momento em que ela ocorre.

Figura 2 A comunicação envolve aspectos culturais.
Figura 2 A comunicação envolve aspectos culturais.

Em nossa vida cotidiana, a comunicação eficaz pode ser resumida à capacidade de escutar e compreender aquilo que nos é apresentado pelas outras pessoas. Desde pequenos aprendemos a nos comunicar, e a assimilação da linguagem é o que nos define como humanos e nos insere em uma cultura.

Quando a mãe fala com o bebê recém-nascido, ela oferece a essa pequena pessoa (que não fala) os insumos fundamentais que ajudarão a formar sua capacidade de relacionar-se com o mundo. Ao longo da vida, o ser humano passa por diferentes processos de amadurecimento cognitivo e emocional, e espera-se que na idade adulta tenha alcançado a capacidade plena de comunicação e expressão.

Mas quando olhamos ao mundo em nossa volta, fica muito evidente o quanto a comunicação eficaz é algo complicado de se colocar em prática. E no meio corporativo, essas dificuldades podem se tornar ainda mais acentuadas em decorrência das características específicas de cada empresa. Em uma agência de publicidade, a criatividade, a inventividade e a originalidade de ideias e de maneiras de se expressar são fatores altamente valorizados. Já uma empresa de auditoria possui valores e códigos de comportamento que prezam pela discrição e pela precisão das informações transmitidas.

Figura 3 Processo cognitivo emocional.
Figura 3 Processo cognitivo emocional.

Qualquer pessoa que apresente um estilo de comunicação muito diferente daquele valorizado em seu meio terá potencialmente mais dificuldade para se fazer entender e conseguir o apoio e a aceitação de seus pares.

Essas diferenças de valores, códigos de comportamento, modos avaliação da realidade, estilos de julgamento, atenção e valorização de determinados elementos em detrimento de outros, são característicos não apenas de organizações, mas também das pessoas que as compõem. A compreensão dessas diferenças pode ser fundamental para assegurar uma comunicação eficaz. Para tanto, diversas empresas têm lançado mão de recursos externos para auxiliar na gestão da comunicação.

Um dos clássicos recursos utilizados pelas empresas em projetos de coaching de equipes com a finalidade de exercitar as capacidades de comunicação e expressão é o instrumento Myers-Briggs Type Indicator – MBTI®. Criado na década de 30 por duas cidadãs americanas comuns – Katherine Briggs e Isabel Myers –, o instrumento MBTI® é um indicador de tipos psicológicos baseado na teoria do psicólogo suíço Carl Gustav Jung.

O MBTI® consiste em um questionário de 93 perguntas que tem por finalidade identificar preferências individuais em duas atitudes e dois processos psicológicos fundamentais. Por sua vez, esses processos e atitudes são caracterizados por duas polaridades complementares conforme a tabela a seguir:

TabelaConhecer o Tipo Psicológico pode ser muito útil para compreender a maneira como uma pessoa lida com estímulos externos e internos, levanta informações, toma decisões e organiza seu cotidiano.

Na prática, as pessoas tendem a assumir inconscientemente que os seus modos e estilos de funcionamento mental sejam iguais aos das pessoas com quem se relacionam. A ideia de que exista uma similaridade universal na maneira como as pessoas recebem e processam informações pode gerar inúmeros equívocos quanto aos motivos e comportamentos de pessoas cujos estilos de funcionamento mental básico são muito diferentes.

A grande colaboração do instrumento MBTI® é propiciar a compreensão de alguns princípios elementares sobre diferenças de modos de funcionamento mental em indivíduos comuns. A partir das informações resultantes do MBTI®, espera-se que as pessoas consigam lidar com diferentes estilos de comunicação de forma mais construtiva e eficaz.

Aplicado ao estudo da comunicação entre pessoas, o MBTI® revela que um bom comunicador deve ser capaz de transmitir suas mensagens de diferentes maneiras a fim de ampliar o alcance e a compreensão de sua mensagem por diferentes tipos de pessoas. Para tanto, alguns conhecimentos sobre tipos psicológicos são necessários.

Por exemplo, indivíduos que preferem receber informações de maneira prática (ênfase na função sensação) estão atentos aos fatos relevantes da situação atual. Se essas pessoas também tiverem uma preferência pela introversão, o modo de processamento das informações será silencioso, por meio da assimilação de detalhes e da elaboração de modelos pragmáticos de compreensão.

Por outro lado, os tipos intuitivos, especialmente quando apresentam também a preferência pela extroversão, podem facilmente se distrair e ficar impacientes com tantos detalhes. Para essas pessoas, quanto mais detalhada for a descrição dos fatos, mais difícil será manter a atenção e a escuta. A melhor forma de se comunicar com esses tipos é oferecer-lhes de início um panorama geral da situação para então concentrar sua atenção nos fatos relevantes.

Há muitos outros exemplos que ilustram as diferenças nos modos como as pessoas preferem receber informações. Segundo a Teoria dos Tipos Psicológicos, a comunicação entre pessoas se dá pela intermediação da função mental mais extrovertida, uma vez que o campo em que ocorre a troca de informações é necessariamente social. Supondo então que uma pessoa tenha como função mais extrovertida o sentimento, ela normalmente se envolverá facilmente com os aspectos pessoais de uma situação, pois para este tipo é necessário avaliar as situações a partir da aproximação de seus valores e convicções próprios. Isso não ocorre quando a função mais extrovertida for o pensamento, que se volta para a lógica e a objetividade factual nos processos de decisão.

Pessoas com preferência pela orientação julgadora valorizam a elaboração de conclusões e a formulação de recomendações práticas em suas discussões de trabalho. O tipo oposto, de estilo perceptivo, prefere explorar as possibilidades e leva em consideração a necessidade de obter mais informações antes de chegar a uma decisão.

Com essas ideias em vista, talvez fique mais fácil entender que inúmeros conflitos e dificuldades de compreensão entre profissionais possam estar relacionados às diferenças tipológicas. Essas diferenças talvez não sejam a origem do conflito em si, mas certamente podem tornar as coisas mais difíceis. Embora a maioria das pessoas saiba se comunicar com eficiência, essa capacidade tende a enfraquecer em momentos de stress e conflito. As diferenças de personalidade podem se tornar exageradas e irritantes.

Em uma situação de conflito, é importante recorrer a habilidades básicas de comunicação para se chegar a uma resolução satisfatória. O reconhecimento das preferências psicológicas pode ser muito útil, por exemplo, ao evidenciar que tipos introvertidos não gostam de ser interrompidos quando estão falando, pois precisam de tempo para organizar suas ideias e elaborar uma resposta às questões em pauta.

O recurso da tipologia pode tender também à formação de estereótipos, e nesses momentos o reconhecimento das diferenças pode se reverter em julgamentos e rotulações defensivas que em nada favorecem a comunicação eficiente.

A ética do instrumento MBTI® recomenda seu uso criativo e cuidadoso, no sentido de estimular as pessoas a dialogar para resolver as questões potencialmente conflituosas.

O objetivo do trabalho com a tipologia junguiana é propiciar aos seus usuários uma compreensão acerca da diversidade psicológica a partir de quatro ordenadores básicos e universais (veja a tabela). E é claro que pessoas que respondam a uma mesma tipologia apresentarão características de comunicação bastante diversas entre si, pois a complexidade do ser humano é marcada especialmente pela singularidade de cada história de vida.

Valorizar as diferenças e exercitar a comunicação criativa e bem humorada é o grande xis da questão. E como advertia o Velho Guerreiro, “quem não se comunica…”.

Por:

*Adriana Fellipelli é psicóloga e CEO da Fellipelli Consultoria Organizacional.

*Pericles Pinheiro Machado Jr. é psicólogo e administrador de empresas.

Tema: MBTI®

Subtema: MBTI®, um aliado poderoso para a compreensão das diferenças entre os indivíduos, estabelecendo uma comunicação mais construtiva e eficaz entre todos.

Objetivo: Autoconhecimento, Autodesenvolvimento, Coaching, Coaching nas Empresas, Desenvolvimento Organizacional, Team Building, Desenvolvimento de Liderança.

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Veja também

Infográfico: Relacionamento e Compatibilidade entre os Tipos Psicológicos

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