O futuro do trabalho e as competências do amanhã11 min de leitura

Por Fabian Salum e
Paulo Vicente dos Santos Alves

Um conjunto de novas tecnologias mudará a forma como trabalhamos e o mercado de trabalho.

Você conhecerá a verdade, e a verdade o enlouquecerá”.

– Aldous Huxley (1894-1963)

Os recentes avanços em robótica e inteligência artificial levantaram dúvidas sobre uma onda de ruptura criativa no mercado de trabalho. Historicamente, temos evidências que comprovam que, quando novas tecnologias se desenvolveram, elas mudaram as interações de capital de trabalho, destruindo milhões de empregos e, mais tarde, criaram ainda mais empregos.

Mas a verdade é que a robotização não é a única onda tecnológica que vem. A energia solar irá perturbar o mercado deste segmento. Biotecnologia e nanotecnologia aumentarão a longevidade. Os novos carros elétricos semiautônomos e a tecnologia Hyperloop, juntamente com os avanços em telecomunicações e informática, contribuirão ainda mais para a dispersão geográfica.

Para entender o futuro do trabalho, seu relacionamento com os Recursos Humanos e o papel da educação como uma preparação para a vida profissional, devemos antecipadamente tentar prever todos esses impactos separadamente nas categorias que lhe permitirão formar uma visão geral sobre nossa pesquisa.

Robotização extrema

Robôs avançados e inteligência artificial são protagonistas de uma longa história de automatização que pode ser ligada desde a primeira revolução industrial. Eles substituirão trabalhos repetitivos, perigosos e de baixo capital intelectual. Eles irão gerar novos empregos, no entanto, nas áreas de conhecimento robótico, programação, design e mecânica fina. Esses trabalhos serão mais sofisticados em capital intelectual, forçando um aumento no nível educacional em geral.

Alguns desenvolvimentos apontam para casas e pequenos edifícios sendo construídos por robôs, ou mesmo impressos em 3D, em poucos anos. A inteligência artificial substituirá os motoristas em táxis, ônibus e caminhões em áreas onde a infraestrutura logística é boa o suficiente para eles, ou seja, com estradas tranquilas e boa localização geográfica.

Os robôs também substituirão trabalhadores de varejo e de fábrica. A inteligência artificial substituirá o professor de assuntos de conteúdo padronizados e gestores de fundos de investimentos. Os robôs podem copiar os movimentos dos chefs de cozinha e replicar seus pratos.

Então, os seres humanos serão necessários apenas nas coisas que um robô não possa fazer ou não possa fazer tão bem quanto um ser humano. Nossa percepção é que suas funções possam ser reduzidas a três tipos de trabalho: lidar com pessoas, resolver problemas e criar.

E mesmo nessas áreas, o robô irá interferir até certo ponto.

A que conclusões podemos chegar?

Podemos pensar que teremos alguns sinais das novas demandas potenciais que devem ser oferecidas previsivelmente para novos provedores de serviços, novos empreendimentos ou até novas formas de relacionamento com este novo contexto. É previsível pensar assim quando olhamos para a cadeia de valor de alguma organização. Como disse, em maio, neste mesmo canal pelo Prof. AnnelAris … “a natureza do trabalho em todos os níveis vai mudar drasticamente.” Queremos dizer o mesmo, mas com outro ponto de vista ou em outras palavras:

Essas mudanças exigirão dos líderes empresariais uma nova posição para nova modelagem estratégica para suas organizações.”.

Longevidade extrema

Tecnologias de aprimoramento humano (HET – Human Enhacement Technologies) são uma combinação de biotecnologia, nanotecnologia, medicina avançada e neuroergonomia. Juntas, elas resolverão muitos dos nossos problemas atuais de saúde. HET estenderá a longevidade humana para pelo menos 120 anos, possivelmente mais.

A terapia com telomerase aumenta o comprimento dos telômeros retardando o envelhecimento devido aos efeitos dessa enzima descoberta em 1985 por Elizabeth Blackburn e Carol Greider. Os nanomecanismos estão sendo pesquisados para “devorar” as células de gordura, a fim de combater a obesidade e todas as suas consequências. A terapia genética pode alterar a transformação genética dos humanos, eliminando certas doenças, mas também mudando a cor do cabelo, removendo o crescimento da barba e revertendo a calvície. A neuroergonomia pode criar interfaces homem-máquina que farão fronteira com “superpoderes”, como a telepatia e a memória fotográfica. Modificações físicas por meio de cirurgia podem alterar o próprio corpo reparando os danos ou aumentando a sua capacidade. Certas partes do corpo podem ser impressas em 3D para substituição, utilizando células-tronco.

Isso significa que os humanos estão prestes a se tornar outra coisa; alguns chamam isso de transumanismo, ou humanidade 2.0. A fronteira entre humanos e máquinas pode não ficar muito clara em algum momento.

Quando consideramos esse cenário de evolução no contexto da longevidade e seus reais benefícios, nosso interesse, no entanto, fica focado nos efeitos de uma longevidade extrema, provavelmente de 120 anos ou mais. As consequências podem ser consideradas incomuns ou não vistas por ninguém. Por exemplo: o sistema de fundos de pensão entrará em colapso. Aposentadoria será após 100 anos de idade, criando um bloqueio para os mais jovens que entram no mercado. Assim, a adolescência, como uma preparação para a vida, vai durar até os 40 anos. Gerar filhos será adiado para os 50 anos. A extensão da vida será uma bênção, mas também uma fonte de problemas.

Nos anos de 1740, quando as estatísticas foram introduzidas na França, a expectativa de vida ao nascer era de cerca de 25 anos de idade. Mais do que triplicou desde então. Se triplicar novamente, a expectativa de vida pode chegar a mais de 200 anos.

Portanto, parece ser algo inimaginável, mas podemos afirmar que a busca da longevidade é um esforço real que dará às gerações futuras o direito de uso do HET. A questão aqui é, quando e como esse tipo de tecnologia estará disponível para todos? Embora seja óbvio ter como uma das respostas: são estes que levarão a primeira decisão sobre a estratégia da organização.

Dispersão geográfica extrema

A telecomunicação e a busca por novos mercados e recursos permitiram que as organizações se disseminassem pelo mundo. Mas a sociedade humana ainda está concentrada nos grandes centros urbanos. O elevador e o sistema de água e esgoto, desenvolvidos na segunda revolução industrial, permitiram que as cidades crescessem verticalmente e concentrassem ainda mais a população.

Essa tendência pode estar se revertendo devido aos limites do tráfego urbano e à poluição, mas também com novos modelos de transporte, como o Hyperloop, e o avanço das telecomunicações e da informática. A consciência pública neste assunto específico está traduzida pela exploração e uso de mecanismos de telepresença como foi visto nas comissões eleitorais para as últimas eleições presidenciais na França.

A realidade virtual e os dispositivos holográficos estão mudando as reuniões de varejo, educação e trabalho. O varejo nos EUA está passando por uma mudança significativa em que as lojas online estão substituindo as tradicionais. A educação verá uma grande mudança em breve, pois muitas palestras ocorrerão em um ambiente de realidade virtual com professores e tutores de inteligência artificial ajudando os alunos. A realidade aumentada usando wearables permitirá maior produtividade e trabalho a distância. Uma divulgação recente de um caso real é o Home Agent (uma escala investida para o Algar Ventures Open). É o primeiro empreendimento no Brasil que oferece atendimento ao cliente 100% pelo home office. É a nova maneira de desenvolver call centers com funcionários qualificados e capacitados como resultado – Mais produtividade sem grandes investimentos em ativos.

Tudo isso aponta para muitas oportunidades e ameaças aos mercados e empresas de tecnologia. Agora vamos compartilhar nosso interesse e análise. É sobre os efeitos da dispersão extrema no trabalho. É possível que as cidades de tamanho médio se tornem preferidas para morar e trabalhar, já que têm melhor qualidade de vida do que as grandes concentrações urbanas. À medida que as organizações continuam a se dispersar geograficamente em diferentes regiões, é mais atraente por sua composição de custos e receitas. As habilidades de trabalho à distância, como lidar com diferentes culturas e trabalho em equipe, serão mais importantes e relevantes. As linguagens universais se tornarão lógica e álgebra.

Novas fontes de energia

A indústria tradicional de combustíveis fósseis será interrompida nos próximos vinte anos. O gás de xisto foi o primeiro disruptor, mas ainda pode manter essa indústria como um oligopólio devido às redes de distribuição. A energia eólica está evoluindo rapidamente, mas como as grandes turbinas representam uma barreira de entrada, isso ainda preservará a estrutura do oligopólio.

A energia solar pode ser a maior mudança do jogo. As previsões atuais apontam para que esta forma de energia se torne a mais barata antes de 2030, e também muito importante, uma vez que pode ser produzida em pequenas quantidades nos telhados e nos lados dos edifícios, pode criar um mercado de concorrência perfeita na geração, embora não seja distribuição. Essa revolução só será possível se as novas baterias corresponderem à necessidade de armazenar energia por dia. Para usá-la à noite, no entanto, avanços na tecnologia da bateria devem apontar para isso também.

O efeito importante dessa tecnologia no mercado de trabalho é que ela exige mão de obra intensiva e não capital intensivo. Isso significa que esse mercado pode absorver empregos que estão sendo substituídos por robôs por meio da automação. Algumas grandes empresas serão substituídas por uma miríade de pequenas e médias empresas, ajudando a dispersão geográfica, mas também mudando o mapa geopolítico, à medida que petróleo e gás encolhem em importância. Como exemplo atual, temos a Tesla Cia. Embora pequena, tornou-se uma montadora com o maior valor de mercado durante o pregão daquele 10 de abril. Especialista em carros elétricos, uma empresa automotiva desafiadora. Tornou-se a primeira montadora da Bolsa de Valores de Nova York, superando a General Motors. Quanto ao volume e faturamento, no entanto, ainda é um pequeno fabricante de carros elétricos. Mas é possível ver alguns modelos da Tesla na Europa, tão longe da Califórnia, onde fica a fábrica.

As competências do futuro

Agora é possível fazer uma lista provisória das competências do futuro.

A figura 1 mostra nosso palpite sobre quais serão:

Preferimos separar as competências por tendência e também incluir competências para os gerentes que se relacionam com o ciclo da decisão de análise da implementação.

Claro, esta é uma proposta interessante para gerar debate. A questão importante pode surgir a partir desta figura, como qual é a mais importante ou em qual somos piores. A resposta a essas questões pode ajudar as organizações a pensarem em seu futuro projeto de força de trabalho.

O futuro da educação

Nosso último ponto é em que a própria educação irá mudar no futuro. Não só por causa do avanço tecnológico, mas também para se adaptar às novas necessidades da sociedade e do mercado de trabalho.

A Figura 2 mostra nossa visão atual com base em algumas fontes, como o departamento de mão de obra dos EUA, e os avanços e previsões em tecnologia. A figura também levanta muitas questões, como qual será o papel do educador no futuro. Provavelmente será um trabalho mais relacionado à programação, gamificação, inteligência artificial, design instrucional, pesquisa e artes do que a visão clássica de um professor. Milhares de empregos serão eliminados na educação, mas muitos outros serão criados.

Fabian Salum é bolsista visitante do INSEAD e Paulo Vicente dos Santos Alves, professor de Estratégia da Fundação Dom Cabral.

Fonte: https://pt.slideshare.net/FundacaoDomCabral/the-future-of-work-salum-and-alves

Traduzido e revisado por Fellipelli Consultoria Organizacional.

Tema: Cultura Organizacional.

Subtema: o futuro do trabalho, seu relacionamento com os Recursos Humanos e o papel da educação como uma preparação para a vida profissional.

Objetivo: Liderança, Neurocoaching, Coaching nas Empresas, Team Building, Desenvolvimento Organizacional.


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