A mentalidade digital no ambiente corporativo11 min de leitura

Qual é a estratégia da sua empresa em relação à mobilidade e às mídias sociais?

Inovação é o que distingue um líder de um seguidor”

Steve Jobs

 

Pessoas, organizações e empresas encaram atualmente um desafio digital que permeará praticamente todos os aspectos da vida moderna. Dos centros urbanos ao campo e da educação à performance profissional, a tecnologia em tudo toca e a tudo impacta.

Lidar com essa onda exige, primeiramente, conhecê-la melhor e tentar prever onde há mais oportunidades para cada setor.

Você sabe qual é a estratégia da sua empresa em relação à mobilidade e às mídias sociais? Em vez  de limitar sua resposta aos efeitos de cada nova tendência tecnológica em um determinado aspecto da execução de seus negócios, o que realmente interessa aqui é uma compreensão mais ampla da chamada mentalidade digital.

Figura 1.0 Mentalidade digital nas empresas.

A mentalidade digital representa a integração das tecnologias digitais com os modelos de negócios, gestão, perfil profissional, consumo dos produtos e serviços, relacionamentos e liderança de talentos na Era Digital. Trata-se de uma prioridade e uma urgência, um imperativo diante de mercados cada vez mais globalizados e com tecnologias acessíveis a todos, em toda parte.

Essa transformação deve começar com uma mudança consistente de mindset dos gestores, alimentando suas mentes, as de seus funcionários e as de seus fornecedores e parceiros com informações da evolução digital em curso. Ainda é comum, no entanto, ouvir de executivos e líderes em geral frases como “esse movimento não vai nos alcançar”, “isso é mais uma história da consultoria” ou “é melhor aguardar as mudanças se consolidarem”.

Essa posição de apego às práticas tradicionais e resistência a novas iniciativas tem causado uma verdadeira ruptura nas organizações, tornando cada vez mais evidente que antigos métodos e competências não sobreviverão em um futuro que exige o intenso uso de tecnologias digitais, capacidade de adaptação, relacionamento, engajamento e conhecimentos diversificados.

A participação e o apoio dos próprios CEOs são fundamentais nesse processo de renovação organizacional. Recentemente, a Innovation Leader – serviço de informações online direcionado ao desenvolvimento de pesquisas, estratégias e ferramentas de inovação – realizou um questionário para descobrir quais são os principais obstáculos aos avanços tecnológicos nas grandes empresas (Innovation Leader, 2018).

Disputas territoriais, políticas e desalinhamentos foram lembrados por mais da metade (55%) dos 270 líderes empresariais ouvidos. Aspectos relacionados à cultura organizacional foram citados por 45% dos participantes, enquanto 42% apontaram a inércia diante de tendências claras para o futuro da organização. Já o orçamento insuficiente e a ausência de visão ou estratégia adequada foram relatados por 41% e 36% dos entrevistados, respectivamente.

 

Tecnologias futuristas

Durante a HSM Expo 2017, Kevin Kelly, reconhecido especialista em tecnologia contemporânea, afirmou: “Estamos vivenciando a melhor época do século para a criação de negócios transformadores”. Em sua palestra, Kelly reforçou essa ideia, descrevendo um processo de conversão do “automático/automatizado” para o “esperto/inteligente”.

Os equipamentos dos quais dispomos atualmente já são muito mais eficientes do que nós na execução de atividades produtivas e operacionais, e Kelly defende que, em um futuro próximo, eles também se tornarão mais inteligentes e espertos. Dessa forma, equipes formadas por homens e máquinas revolucionarão as relações sociais, econômicas e comerciais ao redor do mundo.

De acordo com Kevin Kelly, tecnologias já existentes serão aperfeiçoadas e amplamente propagadas para alcançar esse feito. São algumas das principais delas:

  • Inteligência artificial: Se a Revolução Industrial conseguiu automatizar tarefas manuais, as funções automáticas também serão brevemente substituídas por serviços inteligentes, realizados por máquinas mais capacitadas do que nós para lidar com determinadas situações.
  • Realidade virtual: A criação de ambientes em realidade virtual, que permitam experiências de imersão total com a aplicação de todos os sentidos humanos, representa um fator decisivo para o progresso de áreas como pesquisa, educação e entretenimento.
  • Interação máquina/mundo: A realidade virtual é apenas um dos meios de interação possível entre máquina e ambiente. Os diversos locais e situações exigirão inúmeras adaptações nessa relação.
  • Plataformas de divulgação e colaboração: Já contamos atualmente com vários recursos de compartilhamento e troca em diversos setores, como Uber, Airbnb e Alibaba. Essas plataformas são exemplos claros da crescente busca dos consumidores por serviços informatizados, on demand e em tempo real. Com isso, estoques, vitrines e estruturas físicas vão se tornando cada vez mais obsoletos.
  • Data Science: Toda empresa deseja entender melhor o comportamentodo cliente e descobrir quais são as suas preferências, padrões de compras, expectativas e, principalmente, como conquistá-lo e mantê-lo consumindo seus produtos. A maioria dos dispositivos que empregamos atualmente já é capaz de coletar e processar dados referentes aos nossos interesses, relações e comportamentos.

 

Figura 1.1 Data Science.

Desmaterialização do consumo e a nova realidade virtual

Embora esteja relacionada à rápida e intensa expansão da internet e dos smartphones, a transformação digital não significa apenas um avanço tecnológico, mas também – principalmente – uma tendência econômica e sociológica.

A mudança de comportamento dos consumidores dita o ritmo desse processo. As pessoas cada vez mais estão optando por abrir mão da posse de bens e valorizando o que eles podem proporcionar, ou seja, as experiências. Trata-se do usar em vez de possuir; menos patrimônio e mais usufruto; menos produtos físicos e mais serviços.

A desmaterialização já é uma realidade em vários aspectos: arquivamento em nuvem (cloud computing), trabalho compartilhado (coworking), Educação à Distância (EAD) e compartilhamento de automóveis são apenas alguns dos muitos exemplos. Não é à toa que a Mercedes-Benz divulga seu sistema de aluguel de carros na Alemanha com o slogan “Compartilhar é o novo possuir” (Green Car Congress, 2016).

O comércio eletrônico é outro exemplo claro da forte desmaterialização que vivenciamos. Nesse sentido, uma pesquisa do banco Credit Suisse (Fortune, 2017) prevê que 25% dos shoppings norte-americanos deixarão de existir até 2022 por falta de consumidores. Isso é mais um sinal da chamada “economia do sofá”, na qual o cliente pode adquirir o que desejar sem sair de casa.

Figura 1.2 O processo de desmaterialização exige adaptabilidade e aprendizado contínuo.

Como reagir a essa nova realidade de mercado? Esse é o grande desafio que as organizações devem enfrentar daqui pra frente, com a tecnologia evoluindo a cada dia, gerando novos tipos de desmaterialização e alcançando mais mercados.

Nesse contexto, Jeff Bezos, fundador da Amazon.com, aconselha: “Queixar-se da internet e lamentar a morte dos antigos modelos de negócio não ajudará em nada. Queixar-se não é uma estratégia. Você precisa trabalhar com o mundo que existe e não como gostaria que ele fosse”.

É importante também criar uma estratégia de foco total no consumidor, na qual o mecanismo de acesso a ele torna-se complementar ou secundário. Online ou presencialmente, o cliente como centro da estratégia não deixará de ser cliente, gerar receita e assegurar a sobrevivência empresarial. O principal ponto a compreender, afinal, é que o avanço tecnológico é inexorável, e as novas tecnologias devem ser prontamente incorporadas em prol do futuro do negócio.

 

Cultura de inovação

Como vimos, a inovação nas empresas tornou-se um requisito básico para a criação de soluções e a entrega de valor ao cliente. No entanto, embora ela também seja capaz de reduzir custos e dinamizar a rotina, ainda são poucas as organizações que conseguem implementar uma rotina de inovação na prática.

Isso ocorre por diversos motivos, desde a inexistência de uma cultura voltada para a inovação até a falta de clareza sobre como agir.

Afinal, quem deve implementar a inovação na empresa?

A gestão da inovação deve buscar criar uma cultura de inovação dentro da companhia, estimulando a construção de novos conceitos e processos. Assim, antes mesmo de delimitar cargos, a instituição deve abraçar a inovação como uma causa, fundamentando-se nela e a aplicando internamente para que os resultados apareçam.

Figura 1.3 Cultura de inovação.

Cabe à diretoria dar o primeiro passo nessa direção, estimulando a diversidade de perfis e habilidades dos funcionários e a criatividade nos negócios, além de formar equipes interdisciplinares para trabalhar na solução de problemas atuais e demandas futuras.

Algumas dicas para o incentivo à inovação nas empresas:

  • Postura colaborativa: Atualmente, a combinação de ideias é responsável pela maior parte das soluções organizacionais. Sendo assim, é interessante promover reuniões periódicas de trocas de ideias entre os diferentes profissionais e setores da empresa.
  • Inovação cotidiana: Para crescer, a capacidade de inovação deve ser continuamente estimulada na rotina diária dos funcionários. Também é muito útil incentivá-los com cursos, palestras e livros que alimentem a criatividade.
  • Objetivos e métricas: Os diretores e os gestores de inovação devem saber exatamente onde a instituição deseja chegar, definindo metas claras para a inovação – aumento de vendas, redução de custos ou aperfeiçoamento de processos, por exemplo.

Nós da FELLIPELLI temos convicção de que a disposição para encarar as mudanças pode determinar o sucesso da transformação digital nas empresas e dos líderes de negócios no mundo digital. Sendo assim, oferecemos diversas técnicas e ferramentas exclusivas e personalizadas para atender às necessidades de cada cliente, visando sempre explorar ao máximo suas potencialidades e desenvolver novas competências.

 

Match. Quem conhece o aplicativo de relacionamento Tinder está familiarizado com o termo emprestado da língua inglesa e que indica combinação, afinidade. No app, o match indica que dois usuários curtiram o perfil um do outro e, a partir daí, começam a trocar mensagens. O termo match agora é moda nesta temporada de seleções para programas de trainee e de estágio. Nesta semana, duas grandes empresas comunicaram a abertura das inscrições de estágio usando o “método Tinder” de match como referência de sua estratégia de recrutamento.

Na Vale, que está com 600 vagas abertas de estágio, os candidatos terão que preencher um formulário chamado de “Escala de Crenças”. Nele, vão informar quais são seus valores pessoais. Essas informações então serão cruzadas com os valores da Vale. Só passam à próxima fase, os jovens que conseguirem “match”.

O processo seletivo da Vale também terá testes online de raciocínio lógico e inglês, uma entrevista em vídeo, e o painel e entrevista final. Na edição anterior foram 157 candidatos disputando cada vaga.

Na Coca-Cola FEMSA, que vai selecionar 40 estagiários, o recrutamento de estagiários será 90% digital, de acordo com Dante Pallazo, diretor de recursos humanos da Coca-Cola. Os interessados em participar deverão baixar um aplicativo criado especialmente para o processo seletivo e responder a perguntas que testam conhecimentos e perfil.

O app funciona por meio de uma plataforma baseada em Big Data e gamificação e que cruza dados de cultura da empresa e perfil do candidato. Os filtros são baseados nas características do usuário, na cultura do negócio e no perfil ideal buscado para determinada vaga.

Fonte: https://exame.abril.com.br/carreira/coca-cola-e-vale-recrutam-jovens-e-usam-metodo-tinder-como-referencia/ Acesso em: 02/09/2018.

 

Para saber mais:

  • Inevitável – As 12 Forças Tecnológicas Que Mudarão o Nosso Mundo. Kevin Kelly. Editora HSM, 2017.
  • Marketing 4.0 – do Tradicional ao Digital. Kotler, Philip / Kartajaya, Hermawan / Setiawan, Iwan. Sextante,
  • Marketing de Conteúdo: A Moeda do Século XXI. Rafael Rez. DVS Editora, 2016.

Referências bibliográficas

 


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Polarização política e o papel do líder nas empresas

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